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Psicólogo alerta para impactos da polarização política na saúde mental na reta final das eleições

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Luciano Edgley alerta para os riscos de transformar divergências políticas em conflitos pessoais e recomenda limites ao consumo de conteúdos eleitorais e às discussões nas redes sociais.

Com o primeiro turno das eleições 2026 programado para acontecer no próximo domingo, 4 de outubro, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as discussões políticas tendem a ganhar intensidade, o que pode gerar um impacto na saúde mental do eleitor. O psicólogo Luciano Edgley chama a atenção para a importância de preservar o equilíbrio emocional e os relacionamentos diante das divergências de opinião.

Em sua coluna semanal para a Rádio Caturité no programa RC Notícias, Luciano Edgley destaca que o problema não está na existência de diferentes posições políticas, mas no momento em que a divergência deixa de ser tratada como uma diferença de opinião e passa a ser interpretada como uma ameaça pessoal. “A gente deixa de discutir ideias e passa a atacar pessoas”, alerta o psicólogo.

Segundo Luciano Edgley, esse processo pode se intensificar nas redes sociais, onde as pessoas tendem a reagir impulsivamente, compartilhar informações sem verificar a procedência e se envolver em discussões com pessoas que sequer conhecem pessoalmente.

Para o psicólogo, uma pergunta simples pode ajudar a evitar conflitos desnecessários antes de publicar um comentário ou compartilhar um conteúdo: “Isso que eu estou prestes a escrever vai contribuir para alguma coisa ou só vai aumentar a briga?”, recomendou.

A orientação é especialmente importante quando a intenção da publicação é provocar, humilhar ou ridicularizar outra pessoa. Nesses casos, Luciano defende que não responder também pode ser uma forma de cuidado. “Nem toda provocação merece resposta, nem toda opinião precisa ser corrigida, nem toda discussão precisa ser vencida.”, afirmou o psicólogo.

Limites também fora das redes

A orientação, segundo o psicólogo, não se restringe ao ambiente virtual. As divergências políticas também podem atingir relações familiares, amizades e ambientes de trabalho. Por isso, ele ressalta que pessoas próximas podem ter posições políticas diferentes sem que isso necessariamente comprometa os vínculos. “Uma pessoa pode votar diferente da gente e continuar sendo uma pessoa que a gente ama.”

Diante de uma conversa que esteja se tornando agressiva, Luciano recomenda estabelecer limites e interromper o debate quando necessário.

Para ele, dizer que uma conversa está ficando agressiva e propor uma pausa não significa fugir do debate, mas estabelecer um limite para preservar a relação.

Outro ponto destacado pelo psicólogo é o excesso de exposição aos conteúdos eleitorais. Acompanhar continuamente notícias, pesquisas, vídeos e comentários, especialmente quando isso provoca irritação ou angústia, pode ser um sinal de que é necessário reduzir o consumo.

A orientação é estabelecer momentos específicos para se informar, buscar fontes confiáveis, verificar as informações antes de compartilhá-las e permitir-se passar algumas horas sem acompanhar discussões políticas. “Tem uma vida acontecendo enquanto a eleição acontece”, lembra Edgley, destacando a importância de manter atividades, vínculos familiares, amizades e outros aspectos da rotina para além do processo eleitoral.

Convicções sem transformar o outro em inimigo

Para Luciano Edgley, um dos principais exercícios neste período é conseguir defender as próprias convicções sem transformar quem pensa diferente em um inimigo. “Você pode votar com muita convicção e ainda assim respeitar quem vai apertar outro número nas urnas.”

O psicólogo também chama atenção para a necessidade de não transformar o posicionamento político na totalidade da identidade de uma pessoa. “O seu posicionamento político é uma parte de quem você é, ele não precisa ser a sua identidade inteira”, afirma.

Ao final, Edgley reforça que o desafio da convivência democrática não está em eliminar as diferenças, mas em aprender a conviver com elas. “Democracia não é todo mundo pensar igual. Democracia é aprender a conviver com o fato de a outra pessoa pensar diferente — e isso inclusive faz muito bem à nossa saúde mental.”

Contato para entrevista de Luciano Edgley: Carla Borba (83) 98880-3005

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